#Entrevista: Mariana Aydar, a cantora paulista de alma nordestina, fala da sua relação com a vida e com a moda

Marina Aydar (Foto: reprodução)
Marina Aydar (Foto: reprodução)

Mariana Aydar tem a arte correndo nas veias. Filha do músico Mario Manga e da produtora musical Bia Aydar, a paulistana de alma nordestina cresceu nesse universo. Dormir em camarins e estar por trás dos palcos foram atividades que fizeram parte da sua rotina enquanto criança. Até que cresceu, e provou por a+b que seu lugar não era no backstage, e sim em cima do palco, com o microfone em mãos e a voz ao vento.

Com o disco de estreia lançado em 2006, Mariana ganhou o Brasil e fez parcerias das boas: Seu Jorge, Elba Ramalho, Dominguinhos, Arnaldo Antunes, Toni Garrido, Samuel Rosa, Daniela Mercury, Céu,  Ivan Lins, Vanessa da Mata e Emílio Santiago são só alguns dos nomes com quem dividiu canções e colecionou momentos.

Cinco álbuns depois, ela estreia um novo single, Te Faço um Cafuné, composto e gravado originalmente por Zezum, trianguleiro de Dominguinhos  – para quem, em 2014, a artista idealizou um documentário homônimo. A novidade já ganhou até um clipe, que eu te mostro aqui, no final da matéria, mas, antes, confira o resultado do papo que Mariana teve comigo para o site da Vogue:

O que o novo single, “Te Faço um Cafuné”, significa pra você?
Eu viciei nessa música, me apaixonei mesmo. Ela foi gravada por Dominguinhos nos anos 1980, mas passou batida por mim, acabei conhecendo através do meu amigo e grande sanfoneiro Mestrinho. A partir daí, todo forró que eu ia, dava uma canja e cantava, então decidi gravar logo. Ela também aponta o caminho do meu próximo disco, que vai ter uma pegada mais forrozeira. As minhas composições já estão nascendo com essa cara nordestina, mas será o “meu” tipo de forró. Sinto que tenho essa missão de desvirtuar um pouco esse ritmo.

Conta pra gente, você prefere fazer ou receber cafuné?
Um cafuné bem dado amolece qualquer um, né? Mas é dando que se recebe.

Mariana Aydar (Foto: reprodução)
Mariana Aydar (Foto: reprodução)

Conta um pouco mais sobre o seu projeto de shows em Caraíva?
Vou pra Caraiva há muito tempo, desde 1998. É um lugar mágico pra mim, um refúgio onde eu recarrego as baterias, componho, danço forró e tenho amigos. Sempre cantei por lá, mas nunca com minha banda, meu show, minhas músicas e, no ano passado, a gente concebeu esse projeto com a galera do Coco Brasil, uma casa de praia, na beira do mar, bem paradise. Começamos a pensar quem que tinha a ver com a vibe da vila. Na primeira edição convidamos Elba e Céu, esse ano vai ser a vez de Criolo e Martnalia. Estou muito empolgada! Amo esses encontros que somam, sabe?! Fazemos tudo com muito carinho e responsabilidade por aquele cantinho de paraíso.

Você sempre passa férias em Trancoso. Pode indicar 3 coisas imperdíveis pra fazer por lá?
A coisa que mais amo fazer em Trancoso é andar na praia. Gosto de ir do Rio da Barra até Itapororoca, que pra mim é a praia mais bonita de toda a Costa do Descobrimento.
Tem um bar que abriu no quadrado agora chamado Sagrado, é escondidinho e delicioso.
Domingo tem Feijoada na Casa da Glória. Também indico conhecer o Teatro L’occitane , principalmente no Música em Trancoso. Esse é o tipo de lugar que me faz ter muito orgulho de ser brasileira!

Pra você, que tem alma nordestina, uma região frequentemente vista com preconceitos, conta pra gente, o que acha que esse povo tem de tão especial?
É uma cultura sólida e cheia de segredos.  Eles tem a sabedoria mais pura e simples, recebem como ninguém e têm “aquela” alegria apesar de tudo .

Quem é seu grande ídolo?
Hum, pergunta difícil… No momento, estou muito fã do Eckart Tolle. Fui em uma palestra dele e saí apaixonada. Admiro muito as pessoas que saem da curva da sociedade e vão atrás de uma causa maior, de se conhecer, de se realizar além das formas. Para mim, sucesso é isso aí.

Com quem você gostaria de gravar/cantar um dia?
Eu sempre respondia Lenine, mas realizei esse sonho ano passado e foi muito lindo.

Marina Aydar (Foto: reprodução)
Marina Aydar (Foto: reprodução)

Tem alguma parceria engatilhada?
Fiz uma música agora com o Arnaldo Antunes, que me deixou muito feliz e surpresa. Ela vai sair no disco. Esse mistério da parceria quando rola é muito louco. Parecia que a letra era minha, que ele me conhecia num lugar que ele não me conhece de fato, mas escreveu tudo isso.

Qual outra música que sonha em gravar?
Queria regravar alguns clássicos que pra mim já estão eternizados e não tem como botar a mão, sabe?

Como é a sua relação com a moda? Acompanha e segue tendências ou faz a linha mais desencanada?
Eu gosto de moda, embora não siga muito. A moda tem que traduzir quem você é, tem que dar um recado rápido. Na real. eu acho que sou meio desencanada. Tenho um pouco de preguiça de me vestir, queria viver pelada ou de pijama, preciso me sentir muito confortável dentro das roupas, isso pra mim é muito importante.

Como é definido o teu figurino para os shows? Um stylist que acompanha o processo?
Olha, na maioria das vezes eu decido bem em cima da hora. Várias vezes eu penso em algo mas na hora não tô a fim e coloco outra coisa. O Higor Vaz Alexandre me ajudou bastante nessa depuração, ele entendeu meu estilo e me fez entender o que dava certo e o que não dava, trabalhamos bastante juntos, mas agora ele está em NY. Também tenho amigos que admiro e que sempre me salvam quando eu não arrumei o figurino a tempo, como o Reinaldo [Lourenço] , Pedro [Lourenço], Glória [Coelho], Helo Rocha, Pitty Taliani e Carô Gold [da Amapô].

Se considera vaidosa?
Acho que sou sim, mas, pra ser sincera, já fui mais. Depois que minha filha nasceu o foco mudou bastante. Ser mãe é bom demais.

Qual o seu segredo de beleza?
Não tem jeito, quando a gente tá feliz fica muito mais bonita!

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